"To be or not to be, that is the question." - William Shakespeare.
“Estude para você ser alguém na vida!”. Frase comumente dita e repetida por muitos pais, professores e até mesmo por jovens que, com o passar do tempo, inevitavelmente acabam gravando na cabeça esse dito tão sem rumo. Como assim alguém na vida? Quem é esse alguém que devemos buscar ser? Bem, isso sai no automático, em uma conversa ou discussão sobre faculdade, estudo como a própria frase cita. Por motivo de desinteresse em cursar uma universidade, seguir uma carreira profissional ou algo parecido, os pais se desesperam tentando colocar algum “juízo” e “realidade” nos “pensamentos avoados” de seus filhos. A preocupação maior de muitos pais hoje – para mim – é o futuro financeiro dos filhos. Outros nem visam tanto o montante, mas o orgulho de ter filhos com formação acadêmica, é tipo um troféu na despensa que se pode gabar.
E essa frase surge disso tudo. Da concepção de que só somos “alguém na vida” quando temos na gaveta um certificado, um diploma. Alguém pode ser teórico e discordar, mas na prática é assim que funciona. A sociedade – não no geral - tende a descartar, menosprezar e até mesmo ridicularizar qualquer um que tenha no mínimo o ensino médio. Aquele que nunca entrou pelas portas da faculdade pelo o simples fato de nunca ter almejado tal coisa, é tido como desinteressado, que “não quer nada na vida”. É certo que há pessoas que não pensam em conquistar nada por preguiça e desleixo; esse texto não é para elas. E também não estou desqualificando quem é formado ou quem deseja ser. A reflexão que trago tem o objetivo de focar na essência do que é ser “alguém na vida”. Há um ditado antigo que diz:
“Sua carreira profissional é aquilo pelo o qual você é pago. Seu chamado é aquilo pelo o qual você foi feito.”
As pessoas focam num emprego, numa profissão, e de repente isso se torna praticamente o “que ela nasceu para fazer”. Fixam sua mente, vida e seu ser em algo transitório, incerto e que qualquer um consegue fazer. Algumas delas se doam tanto que negligenciam até a família, os amigos. Enquanto isso o tempo passa, e por mais que consiga granjear riquezas e conforto, sempre sente que falta algo. Permanece o vazio existencial. Elas não tem um alvo, não encontram uma boa razão, nem lucro em existir.
A felicidade verdadeira não se consiste no que temos ou no que somos, mas naquilo que fomos criados para ser. Quando o homem coloca como fonte do seu prazer e “felicidade” os seus bens, os seus status, os seus sonhos, ele corre o risco de frustrar-se. Pois os bens se acabam e envelhecem, os status são desvalorizados com uma grama de falha, e os sonhos podem não se tornar realidade. O problema inicial é que nem todos sabem para o que foram feitos.
Eu sou cristão. Tenho como bússola a bíblia. Com ela eu sempre consigo achar o norte, a posição do meu alvo, e do caminho que me ajuda a destronar toda a minha concepção errônea, de que o que possuo, o que a subcultura prega, e o que a sociedade exige, é o que define eu ser ou não alguém na vida. O que devemos buscar descobrir e entender é: para o que fomos feitos? Enquanto você não encontrar essa resposta, acredite, você não estará vivendo, estará só existindo. Tudo na vida tem uma função, foi criado para algo.
Os objetos, os planetas, até mesmo os micróbios. Mas o ser humano que constantemente exclama: “Deixe eu viver a minha vida! Não sabe de onde veio e nem para onde vai. Descubra para o que você foi feito, só então terá uma vida e não uma “ida” apenas. Depois todo resto ao redor – estudo, família, dinheiro, metas... – se encachará, procure o eixo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário