“Por fora bela viola, por dentro pão bolorento.” – Provérbio popular.
O pregador com voz de cantor hadcore estremece o teto da congregação e grita:” As irmãs tem que criar vergonha; é os peito ‘pulado’ de fora, a saia ‘cum quatu’ dedo de cumprimento, as cara pintada mais do que Patati e Patatá... temos que ter reverência na casa de Deus!”. As irmãzinhas solteiras ficam vermelhas de superar o Blush, as senhoras murmuram: “Fala Deus, usa o cajado!”. As recém convertidas se sentem constrangidas, mas justificadas por serem “novatas”. A repreensão toma o tempo estipulado para a pregação, restando uns 15 minutos para usar a Bíblia.
-Ué, mas a repreensão da sensualidade não é bíblica?
Com certeza que é! A Bíblia está repleta de passagens alertando e condenando a lascívia. Porém quando a maioria dos líderes religiosos falam sobre esse assunto, é mais uma forma de cumprir e conservar a doutrina da denominação, do que de manifestar as intenções do coração da igreja.
Deixa eu explicar melhor...
Quando alguém se converte ao Cristianismo – numa denominação provavelmente – ele recebe em pouco tempo um padrão de vida a ser cumprido, desde comportamento até vestimenta. E o “look” é a primeira vítima. Como numa escola ou empresa onde só participa ativamente e prático aquele que entra fardado, na congregação alguém só é considerado se cumprir todos os requisitos que lhe é posto – leia
imposto. Terno, saia longa, cara lavada e postura contraída.
Já começam errado, pois a mudança que Jesus faz no homem é de dentro para fora e não da casca para a alma. Quem começa uma reforma pelos muros? Somente um tolo ou ignorante. Jesus é inteligente. Outra coisinha bem radical: o trabalho de convencer o homem do pecado, da justiça, do juízo, da língua fofoqueira, da inveja, da mentira...é do Espírito Santo; não temos esse poder e nem muito menos essa missão. Não somos cuidadores nem “Pai na fé” de ninguém. Somos simplesmente mensageiros, semeadores. Não adianta explodir as cordas vocais e gastar suor com discursos na esperança de mudar as atitudes de alguém, para irem segundo a bíblia, ou mais ainda, segundo nossos próprios conceitos. Não vai rolar.
A criança na fé não passa nem pra “adolescência espiritual”. As vestes mudam, as ideias se tornam um partido defendido a ferro e fogo, as amizades são trocadas – leia
descartadas - por gente crente, o facebook fica lotado de versículos e imagens de gente ajoelhada, o vocabulário fica santo até enjoar, mas no íntimo do seu ser tudo fica intacto ou pior. A alma seca e cheira mal. Mas Jesus prometeu que aquele que viesse até Ele seria saciado em todos os sentidos bons. O erro está aí, aceitar uma religião não é aceitar a Cristo. Existem várias por aí, mas Jesus é um só e não é homem de duas palavras e diversas verdades. As pessoas tem a bíblia, mas insistem em acreditar em qualquer pregação, em homens por terem cargos ministeriais ou simplesmente num livro de um Autor qualquer.
O problema dos homens é que entendem as coisas trocadas. Lê a letra, mas não percebe o Espírito da Lei. O que vale como interpretação é a intenção da escrita e não o contexto da gramática. Se parassem de exigir um padrão comportamental e pregassem mais e a verdade sobre o Espírito Santo, como ele age, trata, guia; talvez surtisse mais efeito sobre os outros. Alguém que aprende a amar de verdade, se torna um bom pretendente a obedecer e a mudar. A própria pessoa se corrige, se policia. Não há quem seja intimo com a Palavra e com o Espírito de Deus que não saiba discernir uma roupa sensual.
Um alguém que levanta a mão numa congregação pra “aceitar Jesus” deve fazer isso mesmo, aceitar o que Ele ensinou, aceitar a Ele e não um padrão de liturgias e doutrina de homens. Do contrário pode mudar muito o exterior, mas não será banhado por Deus, só vestirá uma “roupa(casca) nova e penteará os cabelos”.