“Mas o Imperador está nu!” Disse um garotinho. “Falou a voz da inocência!”
Exclamou o pai; e cochichou para outro o que a criança dissera. “Ele está nu!” Correu de
boca em boca. “Ele está nu!” Bradou finalmente o povo. O Imperador ficou envergonhado
porque sabia que estavam certos; mas refletiu: “O cortejo precisa prosseguir!” Aprumou
ainda mais o corpo, e os camareiros, solenes, continuaram fingindo segurar o manto real
que não existia.
-Hans Christian Anderson
Quantos de nós não sustentamos a postura para que o cortejo continue?
É aquela mesma conversa de que o show não pode parar, né!
A gente, em muitas coisas, não estamos satisfeitos ou felizes, mas insistimos em não sermos sinceros com o próximo e consigo mesmo.
Em relação a nossa fé, nossas crenças, nos relacionamentos, nas dúvidas que temos e até naquilo que achamos que sabemos.
Aquela perguntinha, desconforto e infelicidade dentro da gente, que vez ou outra submerge a ponto de expormos com o corpo, algo que nem sempre entendemos o que está acontecendo; e quando temos a certeza do que se passa, deixamos para lá, negligenciamos os sentimentos que temos sobre aquela determinada situação, pessoa ou coisa.
E como disse Rice Broocks:
Tentar suprimir a verdade é como empurrar uma bola debaixo d'água. Quanto mais você afunda, com mais força ela sobe à superfície.
As pessoas não são sinceras na maior parte da vida. Seria tão mais "fácil" conversar e expor o universo que tem em cada um de nós.
Nossas perspectivas, compreensões e visão.
É aí onde as pessoas traem, mentem e se tornam falsas. O medo de ser incompreendido, rejeitado ou difamado ao expor o que acredita.
Por que verdadeiramente cada um só consegue entender o próprio mundo que criou para si.
Infelizmente a humanidade tem um estoque enorme de conhecimentos e idéias pela as quais usamos para pintar uma tela, onde nós, os próprios artistas, sentamos em frente a ela para admirar ou ignorar.
Uma verdade absoluta fica cada vez mais difícil de ser agarrada por uma vida inteira.
Na próxima "verdade" mais favorável que encontramos desistimos da anterior, até encontrarmos uma outra "verdade" que nos dê uma base mais sólida que a que temos atualmente.
Fingir então para quê? Viver uma vida infeliz e lamentável somente para não encarar primeiramente a verdade que você carrega dentro de você. Seja algo simples como sorrir quando se quer chora. Ou algo grande como um estilo de vida que gostaria de ter.
Para que fazer todos os dias as mesmas coisas que você odeia? Estar num lugar que não se sente bem. Cumprir a ladainha só para que o cortejo continue e o fingimento seja a roupa que veste tua alma!
Hoje venho me opor aos camareiros que te ajudam a viver uma mentira. Não vou segurar um manto irreal para você. Mas insistir em dizer: Você está nú imperador, vista-se!