Quando lembramos da história de Barrabás e Jesus surge muitos sentimentos dentro de nós, mas há um que com certeza é comum, o desejo de justiça. Até mesmo aqueles que nem conhecem bem a história ou não crêem em Jesus, saberiam que esse fato narrado gera indignação pela a forma como ambos foram julgados.
Segundo o costume da páscoa eles soltavam um prisioneiro, e provavelmente sempre seria um malfeitor dentre outros malfeitores. Mas ainda assim, quais seriam os critérios usados pelo o povo para conceder a liberdade a alguém? Crime mais leve? O que seria um crime mais leve?
Que fator existe para que eu não entregue um amigo ou que eu corrija um desconhecido? O que faz com que eu puna alguém, mesmo que a ame?
De onde tiramos o nosso conceito sobre o que é certo ou errado? Bom ou mau?
Isso é crucial pra tudo mundo!
Islâmicos matam por que acreditam que estão cumprindo um dever, segundo a fonte da concepção que eles têm, daquilo que é correto ou não.
Por mais que a Lei das suas consciências digam algo, eles são preenchidos com a certeza de estarem prestando culto ao divino, cumprindo assim a satisfação da sua fé sobre a definição do bem e do mal.
Isso é caótico.
Ouvi uma pessoa dizer: eu não faço mal ao próximo e nem a Deus. Eu fumo e bebo no meu canto, só faço mal a mim mesma.
Outra diz: é bandido? Pois foi bem feito, eu teria cortado a mão e não somente os dedos.
Uma terceira exclama: estupro? Pena de morte!
Cada pessoa tem um senso do que é justo ou injusto. E isso depende da verdade que ela encontrou na vida.
Não ter um alvo que seja absoluto leva muitas pessoas a um poço de confusões e desatres. Ficam uma vida inteira cambaleando e tropeçando no bem e no mal.
Lembrando a cena da condenação de Jesus verificamos que Jesus era inocente segundo a Lei dos Judeus e a Lei Romana que subjulgava Israel na época. Nada ele descumpriu para receber morte e nem ao menos uma prisão. Já Barrabás havia sido preso devido um homicídio cometido numa rebelião - possivelmente contra Roma. No Evangelho de João diz que ele também era assaltante. A gente sabe que eles não usaram os critérios das Leis para julgar o Jesus. Foram persuadidos pelo os fariseus para o crucificarem.
Mas usei esse episódio, pois sei que isso manifesta revolta por ver um inocente sendo condenado e um homicida sendo liberto. É de senso comum.
Venho trazer uma reflexão a respeito do senso da Justiça de Deus!
A justiça é um debate amplo no meio dos filósofos e entre outros estudiosos. Muitos podem dizer que é ousadia minha falar sobre isso, mas vou falar o que encontrei nas Escrituras sagradas.
Algo unânime nos entendimentos sobre o que é justo ou não, é que "justiça é dar a alguém o que lhe é devido." Seja liberdade, prisão ou restituição.
E a Lei é quem dita as coisas que precisam ser cumpridas, para que a justiça seja alcançada.
Jesus que veio para cumprir a Lei como ele disse, falou que a essência de toda a Lei se resumia em dois mandamentos. Amar a Deus e amar o próximo.
Se o mandamento é amar podemos entender que Deus criou o homem para amar e ser amado. Pois se o cumprimento da Lei é justiça, e o mandamento é amar...
Sendo assim...
- O que é devido ao homem? Amor.
- O que é devido a Deus? Amor.
✔️Justiça segundo Deus é amar.
I João 3:4 diz: Todo aquele que comete pecado transgride a Lei, pois o pecado é a transgressão da Lei.
Verso 10 diz: Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é filho de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão.
Ou seja, Jesus veio para nos salvar da condenação por causa do pecado. E aí fala que pecado é transgredir a Lei. E qual é a Lei? Amar.
"Amar o seu irmão" no verso 10 não está como uma segunda coisa, mas sim como uma coisa só. Aquele que diz que é filho de Deus e não consegue amar, ainda não nasceu de novo. Pois quando alguém nasce de novo espiritualmente ela recebe o Espírito Santo que é o próprio Deus. Ele passa a habitar dentro dela e a mesma fica sob a Lei do Espírito de vida. Ela recebe a capacidade de vencer o pecado, que é transgredir a Lei, que é amar. Está lá em Romanos 8.
Muitos cristãos dizem querer fazer a vontade de Deus, mas não enxergam que a vontade de Deus é que pratiquemos a justiça, após recebermos a Justiça de Jesus, conquistada na cruz. No texto anterior Lugar Santíssimo eu abordei o sacrifício de Jesus e expliquei a Justificação. Eu só quis agora abordar a questão da justiça que devemos praticar depois que nascemos de novo.
Não é algo que você deve fazer agora por que é cristão. Ritual ou liturgia. Mas é o que João explicou nas suas cartas. Que aquele que é verdadeiramente filho de Deus, que nasceu de novo e realmente recebeu o Espírito Santo produz naturalmente. Através dessa comunhão com Deus ele é capacitado a praticar a justiça, sabendo que nunca poderá se assegurar nela, mas sim na que Jesus conquistou na cruz. E que o único motivo dele conseguir amar é por que está unido a Cristo.
"Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; sem mim nada podeis fazer" João 15:5
O objetivo do Criador sempre foi relacionamento e não regras de convivência. Os estatutos, mandamentos, preceitos e ordenanças que ele entregou ao povo judeu foi devido a impossibilidade de relacionamento com eles. E para que o pecado fosse manifestado. Pois como Paulo explica, só sabemos que algo é pecado, ou seja, transgressão da Lei, quando se existe uma Lei. Mas só viam a letra do "não faça isso ou aquilo", não enxergavam o propósito de Deus de amarem a Ele e ao próximo. Eram cartas de amor. Recomendações para o povo amar.
Peguem isso e apliquem a qualquer situação. Desde a mentira que gera dor, decepção e desconfiança, até um estupro que pode gerar revolta e homicídio. Se eu amar a Deus não vou ser idólatra, não vou tomar seu nome em vão... Se eu amo ao próximo não cometo nada que possa prejudica-lo emocionalmente, espiritualmente ou físicamente. Não podemos se alegrar ou desejar o mal a um assassino, pois "o amor não se alegra com a injustiça..." (1Coríntios 13:6). Nem a nós mesmos podemos causar o mau. Igual a conversa que bebo e fumo no meu canto.
I João 4:16 diz: E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor. Quem está em amor está em Deus, e Deus nele.
Sendo ele o próprio amor. Como podemos querer tratar a prática do amor como um tema avulso e aleatório? Como se fosse algo pra pregar num púlpito só de uma vez ou outra, pra controlar uma situação recente de confusão ou desordem entre os cristãos? Ou sobre não amar o dinheiro, dizimar e dar esmolas?
Pra finalizar quero deixar esses versículos que amo de Miquéias 6:6-8
Com que me apresentarei ao Senhor e me inclinarei ante o Deus excelso? Virei perante ele com holocaustos, com bezerros de um ano?
Ele se agradará de milhares de carneiros, ou de miríades de ribeiros de azeite?
Darei meu o primogênito pela minha transgressão?
O fruto do meu ventre pelo o pecado da minha alma?
Ele te declarou, ó homem, o que é bom. E o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus?
